sábado, 7 de julho de 2012

Conversão do coração, uma vida nova

                                      Convertei-vos e crede no Evangelho
 Jesus anuncia o Reino de Deus, revela que Deus é Pai, cuja vontade é que ninguém se perca (Mt 18,12s)

    Um convite à conversão do coração:
   "O ato de conversão implica em uma vontade de mudança de atitude, uma mudança moral, mas é sobretudo um apelo, um ato de confiança: "Meu Deus, tende piedade de mim pecador". (Lc 18,13)  Contudo, a conversão deve incluir não só um retorno moral, mas também um ato positivo de fé em Cristo. Esse arrependimento terá como resposta perdão dos pecados (At 2,38; 3,19; 5,31) será selado pela recepção do batismo e pelo dom do Espírito Santo (At 2,38).
    " A conversão é uma graça devida à iniciativa divina : é sempre o pastor que sai a procura da ovelha perdida (Lc15,4ss). A resposta humana a essa graça é analisada concretamente na parábola do filho pródigo, que põe em admirável relevo a misericórdia do Pai (Lc 15,11-32). O Evangelho do Reino traz uma revelação desconsertante de que "Há mais alegria no céu por um pecador que se converte, do que noventa e nove justos que não têm necessidade de penitência" (Lc15,7.10).
   O apelo à conversão para participar do Reino de Deus é anunciado por João Batista e Jesus volta a fazê-lo em termos próprios no início do seu ministério e com poder. ( Mc1,15; Mt 4,17);
 "Jesus mostra para com os pecadores uma atitude de acolhimento que escandaliza os fariseus (Mt 9,10-13). Ele chama à conversão todos os que dela necessitam ( Lc 5,32p) revelando que Deus é Pai, cuja alegria consiste em curar e perdoar e cuja vontade é que ninguém se perca  (Mt 18,12ss). Jesus não somente anuncia esse perdão ao qual a fé humilde se abre, ao passo que o orgulho se lhe fecha.( Lc 7,47-50; 18,9-14). Ele apresenta Deus como modelo de misericórdia ( Lc 6,35ss) para aqueles dos quais é Pai, e que devem imitá-lo para serem seus verdadeiros filhos ( Mt5,43ss. 48).
 Jesus veio para "chamar os pecadores à conversão" (Lc 5,32), aí está um aspecto essencial do Evangelho do Reino. O homem que toma consciência do seu estado de pecador pode aliás voltar-se a Jesus com confiança, pois o Filho do Homem tem o poder de perdoar os pecados (Mt 9,6).
"Mas a mensagem de conversão esbarra na auto suficiência humana em todas as suas formas,o apego às riquezas ( Mc 10,21-25) até a orgulhosa segurança dos fariseus ( Lc 18,9). A impenitência atual de Israel é sinal do endurecimento do seu coração. Se não mudarem de conduta,os ouvintes de Jesus perecerão à semelhança da figueira estéril. (Lc 136-9 ; Mt 21,18-22)". Os cristãos de origem judaica constatam com surpresa  que "o arrependimento que leva à vida é oferecido aos pagãos como a eles" (At 11,18) que além de buscar o arrependimento moral e exige que desapegue dos ídolos para se voltarem para o Deus vivo.(At 14,15). Uma vez dado o primeiro passo, são levados a "se voltar para Cristo, pastor e guarda de suas almas" (1P ,25).
 " Jesus compara a Palavra de Deus com uma semente colocada no coração do homem, para ali ser o princípio da vida moral nova ( Mt 13,18-23 p). Por outro lado, ele ensina que é necessário "voltar ao estado de crianças" para entrar no reino dos céus ( Mt18,3). Verdade esta que se explica no IV evangelho: "É preciso nascer de novo para entrar no reino dos céus" (Jo 3,3.5).
  Para renascer sobrenaturalmente, o homem deve portanto receber em si um princípio de vida vindo "do alto", de Deus; ora com a Palavra, ora o com o Espírito de Deus. Segundo 1P 1,22-25, Deus nos gerou por sua Palavra ( a pregação evangélica) que ele depositou em nós como "semente" de vida e a qual devemos obedecer. Como crianças recém-nascidas, desejamos o leite da Palavra que nos deve fazer crescer até a salvação (1P2,2). Cristo, palavra de Deus que se deve "receber" pela fé ( Jo 1,1. 12s)".
"Vida nova- recriado pela Palavra  e pelo Espírito o homem se torna um ser novo cujo comportamento moral é radicalmente transformado. Ele abandona o mal e já não segue suas paixões e obedece à Palavra que lhe prescreve o amor aos irmãos, não pode mais pecar contra as exigências do amor fraternal (1J 3,9s). Ele vive doravante sob a moção do Espírito (Rm 8,14) e enxertado na vida de Cristo" ( Rm 6,5).
  " Se Deus muda o coração do homem, começa então aparecer os sinais de fé que só Jesus ressuscitado pode fazer isso por nós". ( João Paulo II)
  Reflexão:Converter-se a Deus é seguir a Jesus Cristo. É preciso querer uma vida nova e estar aberto à Palavra e a ação de Deus na sua vida, seguir seus preceitos, e a Verdade vos libertará. "Tenha consciência, seja lá quem fores, de que tu és amado! Lembra-teo Evangelho é um convite à alegria! Não te esqueças que tens um Pai e que toda vida, mesmo a mais insignificante aos olhos humanos, tem valor eterno e infinito aos seus olhos!" (João Paulo II).
Fonte: As Escrituras, a Bíblia
           Vocabulário de Teologia Bíblica, Ed. Vozes
           Cruzando o Limiar da Esperança de João Paulo II/ a Vittorio Messori, Ed. Francisco F. Alves

quarta-feira, 4 de julho de 2012

O Evangelho do Reino de Deus

                                       Ouvir a Jesus é ouvir o próprio Deus        
"É  preciso crer em Jesus para entrar no reino dos céus" (At 8,12)

Observação:  Esta página havia sido publicada no início de julho, mas por um lapso 'ela foi apagada', por isso estou publicando novamente, devido a importância de se conhecer o que diz Jesus sobre o Reino de Deus.

   Jesus em sua pregação põe em primeiro lugar o Reino de Deus. "O que ele anuncia é a Boa Nova do Reino (Mt 4,23; 9,35).  Os milagres de Jesus são os sinais da presença do Reino e fazem entrever o seu significado. Na nova Aliança anunciada pelos profetas, Deus grava-la-á  no coração de cada homem, no mais íntimo do próprio ser, ou então, é o  Espírito que deve vir renovar o coração do homem (Ez 36,26ss). 
   Jesus compara a Palavra de Deus como uma semente colocada no coração do homem para ali ser princípio de vida moral nova ( Mt 13,18-23). Por outro lado, ele ensina que é necessário "voltar ao estado das crianças" para entrar no reino dos céus  (Mt 18,3): como a criança, deve o homem aceder em receber tudo de Deus. Verdade esta que se explica no IV evangelho: "É preciso nascer de novo para entrar no reino dos céus" ( Jo 3,3.5). O Reino vem quando a Palavra de Deus é dirigida aos homens, como uma semente atirada à terra: o reino tem que crescer e crescerá por seu próprio poder, como grão ( Mt 13,3-9; 18-23). 
  Parábola do semeador. Assim disse Jesus: "Eis que o semeador saiu para semear. E ao semear,uma parte caiu à beira do caminho e as vieram e a comeram. Outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia muita terra. Logo brotou, porque a terra era pouco profunda. Mas, ao surgiu o sol, queimou-se e por não ter raiz, secou. Outra ainda caiu entre os espinhos. Os espinhos cresceram e abafaram. Outra parte caiu em terra boa e produziu fruto, um cem, outra sessenta e outra trinta. Quem tem ouvidos, ouça!" Aproximando os discípulos perguntaram-lhe:" Porque falas em parábolas?" Jesus respondeu: " Porque a vós foi dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não". Certamente haveis de ouvir, e jamais entendereis. Certamente haveis de enxergar e jamais vereis, porque o coração desse povo se tornou insensível. E eles ouviram de má vontade, e fecharam os olhos, para não acontecer que vejam com os olhos e ouçam com os ouvidos, e entendam com o coração e se convertam, eu os cure.Mas felizes os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem.
   Explicação da parábola do semeador:-"Alguém ouve a Palavra do Reino e não a entende, vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Esse é que foi semeado à beira do caminho. O que foi semeado em lugares pedregosos, é aquele que ouve a palavra e a recebe imediatamente com alegria, mas não tem raiz em si mesmo, é de momento : quando surge uma tribulação ou uma perseguição por causa da Palavra, logo sucumbe. O que foi semeado entre os espinhos é aquele que ouve a Palavra, mas os cuidados do mundo e a sedução da riqueza sufocam a Palavra e ela se torna infrutífera. O que foi semeado em terra boa é aquele que ouve a Palavra e a entende. Esse dá fruto produzindo à razão de cem, sessenta e trinta."
   O Reino de Deus é um dom de Deus por excelência, mas para recebê-lo é preciso cumprir certas condições. Se tudo é de graça, os homens devem responder à graça: uma alma simples, uma atitude de criança, uma ativa busca do Reino e sua justiça, o cumprimento da vontade do Pai, especialmente a caridade fraterna ( Mt 25,34), tudo isso se exige de quem quer entrar no Reino e finalmente herdá-lo. Pois todos serão chamados, mas nem todos serão eleitos. É preciso crer em Jesus para entrar no Reino. Jesus é o semeador, nosso coração a terra, e a semente a palavra de Deus.
   Os pecadores endurecidos no mal " não herdarão o Reino de  Cristo e de Deus" (1Co  6,9s;  Gl 5,21;  Ap 22,14s). Consultem as citações bíblicas para maior conhecimento dessa realidade.
  Reflexão: O mundo nos seduz com suas tentadoras e constantes ofertas. Infelizmente, a busca pelos bens materiais,  status, poder e  fama, constantemente nos seduz e nos leva a querer e a ter mais e mais, deixando de lado a fraternidade, os princípios básicos da moral, e da ética. De coração endurecido, o homem se fecha à Palavra de Deus e não produz frutos de vida eterna. Só os que ouvem a Palavra de Deus e creem, aceitam e guardam no seu coração. Deixando-a germinar produzem frutos. O Pai nos ama e não quer que ninguém se perca. E por isso Jesus veio para nos ensinar como chegar até o Pai. Para aprofundar no conhecimento da Palavra, sugiro ler as citações bíblicas da página.

Fonte: As Escrituras Sagradas, a Bíblia
            Vocabulário de Teologia Bíblica, Ed. Vozes
             imagem: Jesus_ pregando jpg  +1

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Jesus é luz na vida dos que o seguem

                             "Não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo"
            "Quem me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida"( Mc 8,12)       
   Luz,  só Jesus - a luz que vem do alto!
   "A sua ação iluminadora é em decorrência daquilo que ele é em si mesmo: a própria Palavra de Deus, vida e luz dos homens, luz verdadeira que ilumina todo homem vindo a este mundo". "Eu vim ao mundo, para todo aquele que crê em mim não ande nas trevas." (Mc 12,46)  A revelação de Jesus como luz do mundo, vem mostrar que é o oposto das trevas, no plano moral: a luz refere ao domínio de Deus e de Cristo como sendo do bem e da justiça; as trevas referem ao domínio de Satanás como sendo do mal, da impiedade, embora Satanás se disfarce de anjo de luz para seduzir os homens.   (2Cor 6,14 . 11,14)
  Das trevas à luz - Por nascença, todos os homens pertencem  ao domínio das trevas, notadamente os pagãos "de pensamentos obscurecidos" ( Ef  4,18). Foi Deus que nos chamou das trevas à sua admirável luz ( 1P 2,9). A graça decisiva é experimentada na hora do batismo, quando "Cristo luziu sobre nós"( Ef 5,14) e fomos "iluminados" ( He 6,4). Outrora éramos trevas, agora, luz no Senhor (Ef 5,8) o que nos propõe uma linha de conduta: "viver como filhos da luz" ( Ef  5,8)
 Os iluminados são aqueles que foram batizados no Espírito Santo e o dom do Espírito Santo é um dom gratuito. Quando nos esforçamos para amar, não estamos sob a ação do Espírito Santo. Com esforço, nos cansamos e nos desanimamos. É preciso que acreditemos que é através da fé, do perdão de Jesus que realmente amamos. Deus se manifesta na pessoa concreta de Jesus. Deus atua na existência da pessoa. Ele se manifesta numa experiência concreta, ex.: a história de Abraão, de são Paulo, e outros...  Deus se manifesta não pela lei, mas pela gratuidade.  Experimentando a gratuidade do perdão e do amor no nosso coração, nós mudamos...
  Os que fazem o mal fogem da luz,  para que suas obras não sejam reveladas; os que agem dentro da verdade  aproxima da Luz e creem na luz para se tornarem filhos da luz. ( Jo 3,19ss . 12,36). Jesus recomendava: é preciso que o homem não deixe apagar-se na luz interior, assim como precisa velar sobre seu olho, lâmpada do seu corpo. São Paulo também recomendava: " é necessário revestir-se  das armas da luz e desfazer-se das obras das trevas, na preocupação de não sermos surpreendidos pelo 'Dia do Senhor.' ( Rm 13,12s) . (1Tl 5,4-8)
  Nossa sociedade nos conduz para alienação... O mundo inteiro se acha subordinado à precariedade, submetido à corrupção e à morte do ser.. Mas o Senhor providenciará os acontecimentos para que possamos sair desse estado de vida. Através do Espírito Santo, conheceremos a gratuidade do perdão, experimentaremos amar o outro sem esforço, com o amor de Jesus.
  Na Igreja e no Evangelho encontraremos a fé em Cristo Jesus. A fé vem pela escuta da Palavra. E a conversão poderá vir com muita leitura das Escrituras. Ela denuncia o que está errado em nossa vida. "A Palavra de Deus nos diz: você é pecador! E a Igreja nos leva a convencer-nos do pecado através da Palavra, o que não equivale a condenar. Pois,"O Filho do Homem não veio a este mundo para condená-lo, mas para salvá-lo". Convencer do pecado quer dizer criar as condições para a salvação. A primeira condição da salvação é tomar consciência que somos pecadores e da hereditariedade e confessá-la diante de Deus e a Igreja recebe esta confissão para salvar o homem. É preciso abrir o coração para que se receba a graça do perdão, um dom gratuito de Deus. Salvar é abraçar e soerguer com o amor redentor, com o amor que é sempre maior que o pecado". A parábola do filho pródigo continua sendo a este propósito um paradigma insuperável" (João Paulo II).
  Reveja o amor, a misericórdia de Deus e a graça do perdão, nessa parábola: o filho que estava perdido reconhece pecador, confessa seu pecado ao Pai, que o perdoa e o recebe com grande festa. (Lc 15,11)
A missão da Igreja deve ser: sal - luz e fermento: "Os cristãos devem ser o sal que salga a massa. Temos que ser o fermento que faz crescer a massa, então, estas pessoas serão iluminadas. "Judas, são todos aqueles que negam Cristo, que são contra Jesus. É preciso cultivar a amizade de Jesus. Judas não vibrava com Jesus porque não cultivou Jesus no seu coração, tinha um coração endurecido. O Senhor nos dá um coração sensível, novo, que vibra com os pobres" ( João Paulo II)..

Reflexão -  Jesus é luz que vem do alto e os que o seguem têm sua história iluminada.
"É preciso andar na luz  para estar em comunhão com Deus. O critério é o amor fraternal, por aí se conhece se está nas trevas ou na luz do mundo. Nossa amizade com Jesus deve ser cultivada dia a dia  para que não fiquemos acostumados com os milagres de Jesus e não fiquemos de coração endurecido, acostumados com "minhas maravilhas", com a rotina, o meu trabalho, o sucesso..."

Fonte: -As Escrituras Sagradas
           -VTB - Vocabulário de Teologia Bíblica, Ed. Vozes
           -Cruzando o Limiar da Esperança, João Paulo II - Vittorio Messori - Ed. Francisco Alves
           -imagem: jesus + a + luz + do  mundo.jpg

sábado, 2 de junho de 2012

A auto suficiência do homem exclui Deus na história

                            A inteligência do homem é um dom concedido por Deus                          
                      O homem se afasta de Deus...e experimenta o vazio da alma
  
 "O racionalismo iluminista colocou entre parênteses o Deus verdadeiro e, de modo particular, o Deus Redentor, onde o homem deveria viver, deixando-se guiar pela própria razão, com se Deus não existisse; podia aceitar um Deus que fosse deixado fora do mundo, pois a existência do Criador ou da Providência de nada servia à ciência, agindo como se Deus não existisse ou seja como se Deus não se interessasse pelo mundo".
     "O racionalismo moderno foi o responsável pelo afastamento gradual do Cristianismo. Cerca de 50 anos após Descartes, tudo aquilo que era cristão na tradição do pensamento europeu já tinha sido colocado entre parênteses.  A Revolução Francesa, durante o Terror, derrubou os altares consagrados a Cristo, lançou os crucifixos pelas ruas e introduziu o culto da deusa Razão e com base nessa deusa se proclamou a liberdade, igualdade, a fraternidade. Desse modo, o patrimônio do Cristianismo se viu arrancado do seu fundamento evangélico, embora Cristo permanecesse vivo desde o início no centro da Igreja.
   "Segundo a mentalidade iluminista, o mundo não precisa do amor de Deus: ninguém precisa  da Sua intervenção no mundo que existe, o mundo auto-suficiente transparente ao conhecimento humano, com pesquisas científicas, sempre mais livre dos mistérios, sempre mais submetido a inesgotável mina de matérias-primas e às técnicas modernas. É justamente este mundo que deve fazer capaz de fazer o homem feliz. 
     Cristo diz a Nicodemos que "Deus amou tanto o mundo" que entregou seu Filho Unigênito para que o homem não pereça. Jesus dá a entender que o mundo não é fonte definitiva de felicidade do homem. Ao contrário pode vir a ser fonte de sua perdição. Este mundo que surge como uma grande construção do conhecimentos elaborados pelo homem, como o progresso e a civilização, como o moderno sistema de meios de comunicação, como um regime de liberdades democráticas sem limite algum, mas este mundo não tem condições de fazer o homem feliz. O mundo inteiro se acha subordinado à "precariedade",como diz São Paulo na Carta aos Romanos, acha-se submetido à corrupção e à mortalidade. A imortalidade não pertence a este mundo."( de João Paulo II)
    Os valores, antes e depois da guerra modificaram a sociedade - surgiu o homem niilista, aquele que vendo o sofrimento deixou de acreditar em Deus. Ocorreu então, o período da dessacralização ou seja, perdeu-se o sentido de Deus nas pessoas, nas coisas, no sacrário. Aconteceu tanto na igreja como fora dela, surgindo então, o homem prático, o técnico que só acredita na ciência.
    Um segundo homem surge, o socialista, aquele que sai do tempo de guerra e vê que o sofrimento humano depende das estruturas e por isso luta para mudar essas estruturas. Ele reduz a humanidade a um robô e trata o homem como uma peça de engrenagem. Acha e professa que mudando as estruturas, ele será feliz. É justamente este mundo que devia fazer o homem feliz, mas ele não tem condições de fazê-lo feliz. Esse mundo com suas riquezas e carências, tem necessidade de ser levado à salvação, de ser redimido.
    O homem niilista e o socialista também aparecem dentro da Igreja. Nesse tempo, a estrutura encobria o Cristo ressuscitado; os padres niilistas passam a fazer psicanálise ao invés de mostrar a misericórdia de Deus, enquanto que o homem socialista queria apenas mudar as estruturas. Entretanto, o que mata o homem não vem de fora, mas o que vem de dentro dele: se o coração do homem continua egoísta, perverso, as estruturas nada resolvem. Ex.: O moço e sua herança: o seu irmão toma e outro diz:- Senhor, meu irmão tomou toda a minha herança e Jesus responde: "minha justiça não é dessa terra". O homem deixa o pecado se instalar em si e vê a carne tornar seu próprio entendimento, endurece seu coração e produz obras más. Mas, um ato de fé pode arrancar o pecador da dominação da carne.
     "Com a descristianização ocorre o divórcio entre o dia das pessoas e a vidas delas ou seja, a ausência de Deus na vida das pessoas. Há pessoas que vão à Igreja, que assistem à missa, comungam, mas não se vê nelas nenhum sinal de fé; não deixam ser transformadas pela Palavra de Deus. Elas se refletem concretamente em muitas situações da vida de cada um de nós. Elas cumprem o ritual para desencargo de consciência; estas pessoas têm fé de 1ª.  Eucaristia, não cresceram na fé. Elas dizem: eu cumpro os dez mandamentos, os dogmas e procuram ser honestas. O Cristianismo, é para elas um desencargo de consciência. Mas estas pessoas não têm nada de cristão se não deixam seu coração ser transformado pela Palavra de Deus, pela ação do Espírito Santo, o amor de Jesus. Os pagãos também fazem o bem, e o fazem muito bem. A maioria das pessoas têm religiosidade natural - têm o temor, medo de Deus. O homem profano vive fora de Deus; só procura Deus quando há alguma necessidade, quando fica doente ou perde o emprego, então faz comércio com Deus. E o verdadeiro cristão é  aquele que ouvindo a Palavra de Deus se abre à conversão, experimenta a gratuidade do amor e do perdão de Deus e tem sua vida cotidiana transformada pelo amor de Deus. A conversão é uma graça de Deus; é necessário abrir o coração, para que se receba a Graça do Perdão". 
 "O Cristianismo sempre esteve aberto ao mundo- às interrogações, às suas inquietudes, às sua expectativas. A Igreja é o corpo de Cristo: corpo vivo e que dá vida a todas as coisas. Nele, temos a gratuidade, a generosidade. A fé é Jesus ressuscitado no seu dia a dia; é aquilo que esperamos, e o que esperamos é a vida eterna. Nossa alma tem sede de Deus e, a fé é uma caminhada para Deus.A Igreja nos convida a sentir o Cristo, aquele que venceu a morte no irmão, no seu sofrimento". ( João Paulo II)

Reflexão : "Esse mundo com suas riquezas e carências, tem necessidade de ser levado à salvação, de ser redimidoJesus é o Senhor! Somente nele há salvação: hoje, como ontem e sempre. (João Paulo II)

   Fonte :- As Escrituras Sagradas, a Bíblia
              -Cruzando o Limiar da Esperança por Sua santidade o Papa de Vittorio Messori - ed.  Francisco Alves, 1994 - 1a. edição.
              -VTB - Vocabulário de Teologia Bíblica, ed. Vozes.
              -Imagem: "Jesus chorando" 1.jpg - de alcir blogspot.com

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A Revelação de Deus em Jesus Cristo

                   Deus  envia seu Filho único ao mundo por amor ao homem                                                                  
                                           Jesus Cristo, o eleito de Deus
"É uma iniciativa gratuita de Deus, o único a quem possa confiar a sua obra e que seja capaz de realizar plenamente o seu desejo.O próprio Deus atesta que em Jesus de Nazaré, ele chega finalmente ao termo da obra que tinha iniciado ao escolher Abraão e Israel". (VTB)
       O "Eis o meu eleito!" de Isaías- anunciava o triunfo de Deus. Só Cristo é o eleito de Deus, e não há eleitos senão nele. Ele é a pedra escolhida, a única; aquele que vive um destino único, o do Filho do Homem, e a realizar a própria obra de Deus".
   A vinda de Jesus Cristo mostra até onde pode ir a generosidade divina:" a ponto de dar seu próprio Filho (Rm 8,32), num misto de ternura, fidelidade, misericórdia e graça de Deus. Todas as Escrituras relatam a eleição de Israel, e Jesus sabe que todas têm em vista a ele ( Lc 24,27; Jo 5,46) o que suscita a vontade de servir e de cumprir até o fim aquilo que tem ser cumprido" (Jo 4,34). (VTB )
     "Em Jesus Cristo, Deus se revelou de maneira definitiva e total: tendo dado seu próprio Filho, não tem mais nada para reservar a si e não pode senão dar ( cf. Rm 8,23).A certeza básica da Igreja é: com a vida, morte e ressurreição  de Jesus, Deus se realizou o seu gesto supremo e que todo homem pode doravante ter acesso a ele. " Esse Jesus crucificado . . .  Deus o fez Senhor e  Cristo . . .  a promessa é para vós, para vossos filhos e para aqueles que estão longe" ( At 2,36-39)." Por ele arrependimento e remissão dos pecados" ( At 5,31). Deus está  a nosso alcance, por uma demonstração inaudita de poder e amor, na pessoa de Cristo, ele se oferece a quem o quer receber. Em Jesus Cristo, Deus mesmo nos dá a prova decisiva do seu gesto de amor. Entregando à morte por nós, "o seu filho bem-amado" ( Mc 1,11; 12,6), sua prova de amor pela humanidade. (VTB - p.226)
     "Aderir a Jesus na fé é conhecer o verdadeiro Deus: "a vida eterna é . . . conhecer o único verdadeiro Deus e o seu enviado, Jesus Cristo" ( Jo 17,3).
    "Ele é o único mediador entre Deus e os homens." Mediador pelo fato de ser Deus-Homem.. Traz em Si o mundo da divindade, todo o Mistério trinitário e ao mesmo tempo o mistério da vida no tempo e na imortalidade. É verdadeiro homem. N'Ele o divino não se confunde com o humano. Permanece algo essencialmente divino".  (João Paulo II)
   "Cristo absolutamente original, ser único e irrepetível!  "Cristo não se assemelha nem a Maomé, nem a Sócrates, nem a Buda. Não fala apenas como Maomé, promulgando princípios de disciplina religiosa, a quem devem ater-se todos os que adoram a Deus. Cristo não é simplesmente um sábio no sentido em que foi Sócrates, cuja livre aceitação da morte em nome da verdade tem, no entanto, traços de semelhança com o sacrifício da cruz. Menos ainda é parecido com Buda, com sua negação de todo o mundo criado. Buda tem razão ao não ver a possibilidade de salvação para o homem na criação, mas se engana quando por esse motivo recusa a todo o mundo criado qualquer valor para o homem. Cristo não faz isto nem pode fazê-lo, pois é a testemunha eterna do Pai e daquele amor que o Pai tem por Sua criatura desde o início. O Criador, desde o princípio vê um múltiplo bem na obra criada e faz o homem a sua imagem semelhança." (João Paulo II ).
   Missão de Jesus :- "O Filho do Homem veio . . . para anunciar o Evangelho, para aperfeiçoar a Lei e profetas, chamar não os justos, mas os pecadores, procurar e salvar o que estava perdido, servir e dar a sua vida em resgate ( Mc 10,45p)...Veio dar testemunho de Deus e de seu reino diante de todas as nações do mundo. O único desejo de Jesus é fazer a vontade d'Aquele que o enviou, realizar as suas obras e dizer o que dele ouviu. A fé que ele exige dos homens é uma fé na sua missão, isto implica ao mesmo tempo a fé no Filho como enviado e, a fé no Pai que o enviou".
   "A missão de Jesus se prolonga pela missão de seus profetas enviados, os Doze Apóstolos - Jesus os envia para pregar o Evangelho e curar os enfermos.   Jesus diz: "Quem vos ouve a mim ouve, quem vos rejeita a mim rejeita e quem me rejeita, rejeita Aquele que me enviou" (Jo 13,20) "Como o Pai me enviou , também vos envio" (20,21). Todas as missões  dos enviados divinos são relativos ao desígnios da salvação." (VTB p.601)
     Jesus e a Igreja: "Cristo, desde o início, se acha no centro da fé e da vida da Igreja que confessa: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo". Assim confessa através dos séculos, juntamente com todos aqueles aos quais o Pai revelou o Filho no Espírito Santo revelou o Pai" (Mt 11,25-27).(João Paulo II)
    A Revelação é definitiva: "Só se pode aceitá-la ou rejeitá-la. Pode aceitá-la confessando Deus Pai Onipotente Criador do céu e da Terra, e Jesus Cristo, o Filho, da mesma substância do Pai e o Espírito Santo que é Senhor e dá a vida". (João Paulo II)
    "Somente Deus pode dar ao homem a vida eterna, um dom divino (Jo 3,16).
   "O Filho do Homem não veio para julgar o mundo, mas para salvá-lo. ". Salvar significa libertar-se do mal, da morte do ser, da perda da vida em Deus". (João Paulo II).
    Jesus no  Plano de Salvação:- "O próprio Jesus se vê no centro do plano de Deus, no seu envio pelo Pai e sua vinda a este mundo, o cumprimento da vontade do Pai, a sua paixão" ( Mt 5,17 ) Se  Ele prega a Boa Nova do Reino, cura os doentes e expulsa os demônios é para significar que Ele é Aquele que devia vir e que o Reino chegou, atingindo sua etapa decisiva.  ( Mt 4,17.23p ).O Evangelho que é proclamado frente ao mundo já não é somente o Evangelho do Reino, é o Evangelho da salvação que chegou em Jesus, o Messias e Filho de Deus, salvação a partir de agora acessível a todos os homens que creem em seu Nome" (At 2,36.39)
   " Em Jesus Cristo, o Reino de Deus está presente e sua Palavra produz o efeito: os que nele creem têm a plenitude da sua alegria,  não se trata de um entusiasmo passageiro que Palavra suscita e a tribulação destrói, mas uma alegria que é fruto do Espírito que faz os Apóstolos cantarem nas piores provações (Jo.16,22). (VTB).
    A  existência de Jesus é a revelação concreta do amor de Deus. "Jesus é o homem que realiza o diálogo filial com Deus e dele dá testemunho diante dos homens. Jesus é Deus que vem viver em plena humanidade o seu amor e faz ouvir o seu ardente apelo. Na pessoa de Jesus, o homem ama a Deus e é amado por ele. Esse amor pede reciprocidade, cumprimento dos preceitos. É em Jesus que se lhe presta obediência e amando-O,  ama-se o Pai. Amar Jesus é guardar integralmente sua Palavra e segui-lo, renunciando a tudo que impede sua relação com Deus." (VTB)
    A adesão ao amor divino - "não é questão de encontro físico, nem raciocínio humano; para ele requer o dom do Espírito, que cria no homem um coração novo e uma vida transformada pela graça. Todo homem precisa do Espírito para poder dizer "Pai" e glorificar a Cristo, e o homem chega por esse caminho a um conhecimento mais profundo dos desígnios divinos. Deus quer levar os homens a uma vida de comunhão com Ele. É esta idéia fundamental para a doutrina da salvação, que se expressa no tema Aliança".(VTB)

Reflexão: - Só em Jesus Cristo encontraremos o verdadeiro sentido da vida, experimentaremos o amor que tanto buscamos, a felicidade que desejamos e o repouso da alma em Deus. Jesus é luz na vida daqueles que o seguem.

 Fonte: -As Escrituras Sagradas, a Bíblia.
            -VTB - Vocabulário  de Teologia Bíblica, Ed Vozes
           - Cruzando o Limiar da Esperança por Sua santidade João Paulo II -  de Vittório Messori - Ed. Francisco Alves - 1a. edição - 1994.
   -Imagem de Cristo:   imagem-de-cristo-1195541145_cristo_024 jpg - fabiomw.com.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Existe verdadeiramente um Deus no céu ?

             Deus existe, é o Senhor da Criação: "EU SOU aquele que é"  (Ex 3,14)                    
            A revelação do Deus invisível na humanidade visível de Jesus Cristo
           
Ao ler as sábias declarações do Papa João Paulo II na entrevista realizada pelo jornalista do livro Cruzando o Limiar da Esperança, considerei preciosas as informações sobre a existência de Deus. Achei providencial transcrever algumas delas, colocando inclusive como título desta página a pergunta do entrevistador: "Existe verdadeiramente um Deus no céu?". Considerando que muitas pessoas têm dúvidas nos dias de hoje, talvez não tiveram acesso a esse conhecimento, 'a certeza da existência de Deus', por não ter tido oportunidade de ir ao encontro da Verdade sobre Deus.
DEUS existe
 Respondendo a essa e outras perguntas, Sua Santidade o Papa fala:
"A pergunta sobre a  existência  de  Deus se acha  intimamente  ligada à finalidade da existência humana. Não é só uma questão intelectual, que diz respeito à inteligência mas também, uma questão que se refere a toda existência humana" (GS 10 ).
    "A  Deus ninguém nunca viu ( nem  pode ver) "(cf .Jo 1,18). Toda vida humana é o "co-existir" na dimensão cotidiana - "tu" e "eu - e também na dimensão  absoluta e definitiva " eu" e "TU". A tradição gira  em torno  deste TU, que é antes de mais nada o Deus de Abraão, Isaac, Moisés e Jacó, o Deus dos Patriarcas, e depois o Deus de Jesus Cristo e dos Apóstolos, o Deus da fé.
    "Nossa fé vem dos nossos antepassados, do povo eleito por Deus e na comunhão com este eterno TU. Tal coexistência é essencial para a nossa tradição judeu-cristão e provém da iniciativa do próprio Deus. Ela está na linha da criação, da qual é o prolongamento, e é  como ensina o Apóstolo Paulo, ao mesmo tempo "a terna eleição do homem no Verbo que é o Filho" (cf. Ef 1,4).- ( João Paulo II, p. 52)
   " A auto-revelação de Deus se efetua em particular no Seu "humanizar-se". Deus verdadeiramente se fez homem no Seu Filho, que nasceu da Virgem Maria. Mais tarde através da Paixão, da Cruz e da Ressurreição, A auto-revelação do Deus na história do homem atingiu o ápice: a revelação do Deus invisível na humanidade visível de Jesus Cristo."
    " Os Apóstolos pediam a Cristo: " Mostra-nos o Pai" (Jo 14,8). Sua resposta é até hoje uma resposta chave:" mostra-nos o Pai?! Não credes que eu estou no Pai e o Pai está em mim?...Crede em mim... Ao menos, crede por causa das obras...Eu e o Pai  somos um" (cf. Jo 14,9-11; 10,30). As palavras de Jesus  vão muito longe. Aqui, estamos diante de uma experiência direta, aquela que aspira o homem contemporâneo. Mas não é o conhecimento "face a face" (I Cor 13,12), o conhecimento de Deus como Deus.
    "O homem não estava em condição de suportar tamanha proximidade de Deus, e começaram os protestos. Foi "escândalo para os judeus, loucura para os pagãos".  Sinagoga e depois o islamismo não  aceitaram  um Deus tão  humano."Isto não combina com Deus! "protestam eles."  Ele  tem que permanecer  absolutamente  transcendente, deve  permanecer pura Majestade. Certamente. Majestade cheia de misericórdia, mas não ao ponto de pagar as culpas da própria criatura, seus pecados.
     "Deus se desvelou ao homem, no que tem de mais divino, no que é Sua vida íntima: desvelou seu Próprio mistério. Não se preocupou que o desvelamento O ofuscaria aos olhos do homem, porque o homem não é capaz de suportar o excesso de Mistério. O homem ainda não tem consciência que Deus é  Aquele  no qual  "vivemos, nos movemos e existimos", (cf. At 1,28). (João Paulo II, p.55,  56)
  " Pergunta-se se Jesus deveria ser confirmado por sua Morte e Ressurreição?  São Paulo diz:  "Mas se Cristo não ressuscitou, é vã nossa pregação, é vã nossa fé.(1 Cor 15,14). Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os homens."
    Se Deus é Amor por que tanto mal?
    "Sem dúvida, Deus condena toda injustiça violenta. Deus se faz defensor das vítimas das injustiças dos homens e mais especialmente do órfão, da viúva e do pobre. Deus é Amor, mas a vontade de amor de Deus se esbarra na vontade pecadora do homem. A história de Adão é sempre atual, a raiz do mal que se instalou no ser humano desde seu nascimento; o homem se afastou de Deus e sem Deus no coração, suas obras são más."
     Deus o fez livre, mas o pecado o fez escravo - " Deus criou o homem dotado de razão e liberdade, e  por isso, submeteu-se ao seu próprio juízo . Ao juízo do homem vem somar-se a intervenção do espírito maligno, que com perspicácia maior ainda se acha disposto a julgar não só o homem, mas também a ação de Deus na história da humanidade".
     " Diante da  liberdade  humana, Deus quis se fazer-Se "impotente". A sabedoria e onipotência de Deus se põem, por livre escolha, a serviço da criatura. Se na história humana está presente o sofrimento, compreende-se porque Sua onipotência se manifestou com a onipotência da humilhação mediante a Cruz. O escândalo da Cruz é para sempre a chave de interpretação do grande mistério do sofrimento, que pertence à história da humanidade. Cristo crucificado é uma prova da solidariedade de Deus com o homem sofredor. Deus fica ao lado do homem e o faz de modo radical: " Aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo, por solidariedade aos homens. E humilhou-se fazendo-se obediente até a morte,  morte de cruz". ( Fl 2,7-8). Tudo se encerra nisto: os sofrimentos individuais e coletivos, os sofrimento causados pelas forças naturais, e os causados pela livre vontade humana, as guerras, os holocaustos: o dos judeus e o dos escravos negros da África. Deus está sempre junto dos sofredores".
     "Este mundo na verdade foi reduzido à servidão do pecado, mas "Deus entregou Seu Filho Unigênito para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna" ( Jo 3,!6). O Cristo crucificado quebrou o poder do maligno e o libertou,  para se transformar de acordo com o plano de Deus até chegar à consumação. Cristo dizia aos Apóstolos: "Coragem, pois eu venci o mundo!".
    " Deus é Amor, por isso entregou ao mundo Seu Filho, para revelá-Lo com amor. Cristo é Aquele que amou até o fim, isto é até o último suspiro. (Jo 13,1). 'Até o fim' - quer dizer: aceitando todas as consequências do pecado do homem, assumindo-o sobre si, as nossas dores, como afirmara o profeta Isaías: "Todos nós andávamos extraviados como ovelhas, cada um de nós se desviava para o próprio caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós" (Is 53,4.6). O Homem das dores é a revelação daquele Amor que "tudo suporta" (cf. 1Cor 13,13).Ele revela que Deus não apenas é Amor, mas derrama o amor em nossos corações por meio do  Espírito Santo" (cf. Rm 5,5). Assim, nos encontramos no próprio centro da história da salvação. E salvar quer dizer libertar do mal. Mal ainda mais radical é  o homem ver-se rejeitado por Deus, isto é a eterna condenação como consequência da rejeição de Deus por parte do homem. E o que é esta vida eterna? Ela é a felicidade que vem da união com Deus. Cristo nos afirma: "A vida eterna consiste em que te conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste".(Jo 17,3).A união com Deus se efetua na visão do Ser divino "face a face".
     "Os julgamentos de Deus na história de cada um -"A fé no julgamento de Deus é um dado fundamental, que jamais se põe em dúvida. Nenhum pecador dele pode escapar. Será  julgado com a mesma medida que se tiver aplicado ao próximo. Deus  julgará cada um segundo as próprias obras, sem fazer acepção de pessoas." (VTB). Contudo, o amor de Deus por nós já se manifestou em Cristo e aqueles que vivem segundo os ensinamentos do Senhor, nada tem a temer. Cristo é o único mediador entre Deus e os homens. É mediador pelo fato de ser Deus-Homem. N'Ele o divino não se confunde com o humano. "O filho do Homem não veio para julgar o mundo, mas para salvá-lo" (cf. Jo 3,17)  
      "Convencer do pecado quer dizer criar as condições para a salvação:A primeira condição da salvação é ter consciência da própria pecaminosidade, da hereditariedade do pecado; é também necessário reconhecer pecador e confessá-lo diante de Deus, ou seja receber esta confissão para salvar o homem. Portanto, salvar é abraçar e soerguer com amor redentor, com amor que é sempre maior que qualquer pecado" (João Paulo II)
  
     REFLEXÃO: Deus existe e está presente  nos corações e na história daqueles que o acolhem e seguem os seus preceitos, cujos frutos são de fraternidade e amor ao próximo: a luta pela dignidade humana, pela justiça e pela edificação do homem como pessoa.
    O mal no mundo- vem com a corrupção do homem, o pecado. "O abandono a Deus, fazendo-se deus do seu próprio destino e a prática de todo tipo de maldade e injustiças sociais que tem como consequência os sofrimentos da humanidade. "Uma cegueira tão obstinada não se explica senão pela influência perversa de Satanás: o pecado escravizando o homem" (João Paulo II a/ Messori). O materialismo, a idolatria, a mentira, o dinheiro como senhor das pessoas; a vaidade do poder, do ser, do ter, o egoísmo, o orgulho e  a ausência de Deus no coração do homem, levam à prática de obras más. A ganância, caracterizada pelos falsos doutores que sob a aparência de justos, procuram o lucro desenfreado a custa da exploração do homem pelo próprio homem, gerando  miséria, violência moral e social de toda espécie, além da banalização da vida.
    "Deus nos fez livres, portanto, responsáveis pelos nossos atos. Nossa responsabilidade é pessoal e social, é uma responsabilidade diante de Deus. Quando nascemos, Deus não pediu nossa participação,  recebemos de graça o dom da vida. Com a liberdade concedida e diante das transgressões praticadas Deus nos chama à conversão, através de Jesus Cristo, o caminho de salvação. Ele é amor e misericórdia." (João Paulo II a/Messori) Somente Deus pode nos salvar, contando com nossa colaboração. "Jesus Cristo deu testemunho não só da existência de Deus, da vida e da imortalidade, a qual Deus chama todo homem" ( João Paulo a/Messori). Sejamos portanto seus seguidores.

Fonte: -Cruzando o Limiar da Esperança /Depoimentos de João Paulo II a/ Vitório Messori - Francisco Alves, 1994 - 1a.edição.
            - VTB -Vocabulário de Teologia Bíblica- 5a. edição, Editora Vozes
            - Imagem de Deus: Deus-7497 jpg - valdecionoticias.blogspot.com

sábado, 5 de maio de 2012

Profetas, os mensageiros de Deus

                         Deus se comunica com seu povo eleito, através dos Profetas

       
  Deus escolheu os profetas e os envia para trabalhar no seu reino, o plano de Salvação.


   "O profeta é o mensageiro e interprete da palavra de Deus. O espírito do Senhor os unge e fica sobre eles ao anunciar a boa nova a todos, principalmente aos pobres, a curar os quebrantados de coração, proclamar a liberdade aos cativos, a libertação aos que estão presos..."
   Eles são os amigos de Deus, aqueles que ouvem a sua voz, seus preceitos e os põem em prática. Ao chamado de Deus, responde cada qual com seu temperamento pessoal. Deus, Senhor da vida, não exige de suas criaturas frutos sem lhes dar os meios.
  A mensagem profética raramente se dirige a um individuo, exceto em algumas situações.  Ela o faz num contexto mais amplo, às nações, reis e reinados. Sua mensagem refere-se ao presente e futuro.  Só lentamente é que Israel chegou a definição do monoteísmo: a afirmação da existência de um Deus único. A partir daí, Israel não reconhecia senão Iahweh, o Senhor dos homens e da história. Esse reconhecimento foi fruto da pregação dos profetas inspirados por Deus. Sua moral está fundada no direito promulgado por Deus. À Santidade de Deus se opõe a impureza do homem.  Os profetas pregam insistentemente que o pecado separa o homem de Deus, é um atentado contra o Deus de justiça, o Deus de amor, contra o Deus de santidade. É a morte do ser.
   Os profetas têm como missão, pregar o reino de Deus, denunciar o pecado, o dos chefes e o do povo e chamá-los à conversão dos corações, a uma mudança de vida. O pecado se torna uma realidade bem concreta na nossa vida  e ficamos sabendo no que dá o abandono de Deus: corrupção, violências, rapinas, julgamentos iníquos, homicídios, usura e todas as desordens sociais.
Assim diz Iahweh: "Foram vossas iniquidades que criaram um abismo entre vós e eu. Por causa de vossos pecados ele escondeu o seu rosto de vós, para não vos ouvir. Com efeito, vossas mãos estão manchadas de sangue e vossos dedos de iniquidades; vossos lábios falam mentiras e vossa língua profere maldade. Não há quem acuse com justiça, não há quem mova uma causa com lealdade. Todos põem a confiança em coisas vãs e pronunciam falsidades, concebem a fadiga e dão à luz à iniquidades.
Seus pés correm atrás do mal, seus pensamentos são iníquos..."  Lançai para fora todas as coisas abomináveis que seduzem vossos olhos, não contamineis com os ídolos que vos escravizam, porque eu sou vosso Deus. Escutai minha voz , e eu serei vosso Deus. Andai segundo meus estatutos, observai minhas normas e praticai-as.
    "Permanecei firmes portanto, e não vos deixeis prender de novo ao jugo da escravidão. Aguardai, no Espírito, a esperança da justiça que vem da fé agindo na caridade. Que a liberdade não sirva de pretexto para a carne, mas pela caridade, colocai-vos a serviço uns dos outros. Ora, os frutos da carne são manifestas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçaria, ódio, rixas, ciúme, iras, discussões, discórdia, divisões invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos previno. Os que praticam tais coisas não herdarão o reino de Deus. É para a liberdade que Cristo nos libertou.  Mas, o fruto do Espírito é:  amor, alegria, paz, longevidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio, pois os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com suas paixões e desejos. A generosidade de Deus derrama sobre toda a carne, a sua graça não permanece guardada, somente pelo "amor por vós e fidelidade à palavra jurada aos vossos pais."
  "Deus exige fidelidade do seu povo à Aliança que ele renova livremente. Se Abraão e Moisés são modelos de fidelidade, Israel no seu conjunto imita a infidelidade da geração do deserto. E onde não se é fiel a Deus, a fidelidade para com os homens desaparece. Só lentamente é que Israel chegou a definição do monoteísmo: a afirmação da existência de um Deus único. A partir daí, Israel não reconhecia senão Iahweh, o Senhor dos homens e da história. Esse reconhecimento foi fruto da pregação dos profetas inspirados por Deus. Sua moral está fundada no direito promulgado por Deus. À Santidade de Deus se opõe a impureza do homem.  Os profetas pregam insistentemente que o pecado separa o homem de Deus, é um atentado contra o Deus de justiça, o Deus de amor, contra o Deus de santidade. Exortam à conversão.
    "A confiança que é condição para a fidelidade, pois o amor cuja prova é a fidelidade perseverante. Os que permanecem no amor terão, só eles, plena segurança no dia do julgamento e da vinda de Cristo, pois o perfeito amor desterra o temor. Deveis santificar o dia do Senhor de modo que seja um sinal entre mim e vós, para que saiba que eu sou vosso Deus."
    Dentre outros profetas, citamos:
  " -Abraão, o pai da multidão das nações e também o pai na fé, modelo de fidelidade
   -Moisés,  profeta da libertação do povo de Israel do Egito, dos prodígios diante do Faraó
   -Samuel, foi o amado pelo Senhor, ele estabeleceu a realeza e ungiu os chefes estabelecidos.
   -Isaías, foi a luz das nações e testemunho da verdadeira fé.
   -Jeremias, de alma terna feita para amar foi enviado para "arrancar e destruir, para exterminar e demolir". Denunciou a apostasia de Israel, o desvio de Israel, a corrupção moral de Judá, as desgraças das guerras, os exilados; pregando à conversão, a Aliança e o culto verdadeiro ao Deus único.
   -Ezequiel, foi considerado o pai do judaísmo; é sobretudo um homem de visões, sua doutrina tem como núcleo a renovação interior: é preciso criar um coração novo e um espírito novo. O próprio Deus dá um coração "novo", e fundirá no homem um espírito "novo", cuja benevolência divina previne o arrependimento e a  graça. Denuncia os pecados de Israel, o castigo, os falsos profetas, a idolatria e a infidelidades de Israel, a espada de Iahweh contra os crimes de Jerusalém, a profecia dos ossos secos, além de outros...
  -Daniel, interprete de sonhos e visões . Deus concedeu a Daniel e mais três jovens hebreus a ciência e a instrução nos domínios da literatura e da sabedoria, denunciam a condenação dos judeus.
  Os Profetas, Jeremias, Zacarias, Daniel, já profetizavam a vinda do Messias, Isaías profetizava sobre o Servo sofredor, a paixão e morte do Salvador. O profeta Ezequiel, sem dúvida esperava a vinda de um novo Davi, quando nenhum descendente estava mais no trono".

   REFLEXÃO:
   Deus ama o pecador, só não ama o pecado. O pecado é a morte, a morte do ser, uma ruptura com a Aliança de Deus. Entretanto, ele é um Deus misericordioso, pronto para o perdão. Ele quer nos dar a vida e vida em abundância. Não poupou nem seu próprio filho Jesus por amor à humanidade, por amor a você, por amor a mim.
   "Deus aproxima daqueles que o invocam, os que o invocam com sinceridade de coração. O Senhor nosso Deus nos diz: "Escutai a minha voz, e eu serei vosso Deus e vós sereis o meu povo. Andai em todo caminho que eu vos ordeno para que vos suceda bem. E não escutaram nem prestaram ouvido; andam conforme os seus desígnios, na dureza de seu coração perverso e deram as costas em vez da face."
  "Quando em sua oração um homem não se lembra de suas ações, ele está se esforçando em  vão  com sua oração. Auto conhecer-se é uma condição para a oração. Se quiseres chegar ao conhecimento de Deus, procura antes conhecer-te a ti mesmo" (Anselm Grün)

Fontes:  -As  Escrituras Sagradas- Os profetas -Introdução/ livros proféticos
             -Vocabulário de Teologia Bíblica, Ed. Vozes,  5a. edição
             -Oração de Autoconhecimento, de Anselm Grün,  Ed. Vozes- 3a. edição
             - Imagem para exemplificar os Profetas: IwjaI 0044 bpg bíblicasimagens.blogspot.com. Galeria de Imagens Bíblicas