quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Viver uma vida cristã

                               A exemplo de Jesus Cristo, a humildade no servir
                           
            "Se me amais, observareis meus mandamentos: "amais-vos uns aos outros"

Viver uma vida cristã : "Tende para com o Senhor sentimentos perfeitos, e procurai-o na simplicidade do coração porque Ele é encontrado pelos que não o tentam e se revela aos que não lhe recusam sua confiança; com efeito, os de pensamentos tortuosos afastam de Deus" (Sab. 1).

Aos mais velhos- "sejam sóbrios e respeitáveis, sensatos, fortes na fé, na caridade e na perseverança e exemplo de dignidade  aos mais novos, no seu proceder. Procedei com sabedoria no trato com todos.  
As mulheres -"igualmente, devem proceder como convém a pessoas santas: não sejam maldizentes, nem intemperantes, mas sejam capazes de bons conselhos, de sorte que as recém casadas aprendam com elas amar seus maridos e filhos, fiéis a seus esposos, amáveis, a fim de que a palavra de Deus não seja desrespeitada. Tudo que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens, certos de que recebereis, como recompensa, a herança, das mãos do Senhor.

 Aos jovens - "exorto igualmente para que em tudo sejam criteriosos. Sê tu mesmo modelo de bom comportamento, de boas obras, íntegros e grave na expressão da verdade, exprimindo-te numa linguagem digna e irrepreensível, para que o adversário, nada tendo que dizer fique envergonhado. No trabalho, devem ser submissos aos seus superiores, dando-lhes motivos de alegria, não sendo teimosos, jamais furtando, ao contrário, dando prova de inteira fidelidade, honrando, assim, em tudo a doutrina de Deus, nosso Salvador. "Servi a Cristo, Senhor. Quem cometer injustiça, pagará pelo que fez injustamente, e não haverá distinção de pessoas."

Contra as discórdias - "Não faleis mal uns dos outros para que não sejais julgados. Aquele que fala mal de um irmão ou julga o seu irmão, fala mal da Lei e julga a Lei. Ora, se julgas a Lei já não praticas a Lei.  Que cada um esteja pronto para ouvir, mas lento para falar e lento para encolerizar-se; pois a cólera do homem não é capaz de cumprir a justiça de Deus". Deixai de lado a inveja, a ira, a animosidade, maledicência, maldade, palavras torpes de vossa boca, nem enganeis uns aos outros. Deixai também a devassidão, as impurezas, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria. Dessas coisas provém a ira de Deus sobre os descrentes. "Acautelai-vos, pois, de de queixar-vos inutilmente, evitai  que vossa língua se entregue à crítica, porque até mesmo uma palavra secreta não ficará sem castigo, e a boca que acusa com injustiça arrasta a alma à morte" (Sab 11).

A graça de Deus se manifestou para a salvação de todos homens. "Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo com auto domínio, justiça e piedade, aguardando nossa bendita esperança, a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Cristo Jesus, o qual se entregou a si mesmo por nós, para remir-nos de toda iniquidade, e para purificar um povo que lhe pertence, zeloso pelas belas obras" (Tt 2, 11-14). Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade, humanidade, doçura e paciência.

Deveres do cristão em geral -"lembro-vos que devem ser submissos aos magistrados e às autoridades e estejam prontos para qualquer trabalho honesto, não devem difamar ninguém, sejam pacíficos, cavalheiros e delicados para com todos". Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós. Mas acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição.

Contra a intemperança na linguagem - "Não queirais todos ser mestres, pois sabeis que estamos sujeitos a mais severo julgamento, porque todos tropeçamos frequentemente. Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom comportamento suas obras repassadas de docilidade e sabedoria. Pois, a sabedoria que vem do alto é, antes de tudo pura pacífica, indulgente conciliadora,cheia de misericórdia e de bons frutos, isenta de parcialidade e de hipocrisia. Um fruto de justiça é semeado pacificamente para aqueles que promovem a paz".

 Exortação final: "Sofre alguém um contratempo? Recorra a oração. Está alguém alegre, cante. Alguém dentre vós está doente? Mande chamar o presbítero da Igreja para que orem sobre ele, ungindo com o óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o porá de pé; e se este tiver cometido pecados, estes lhe serão perdoados. Confessai uns aos outros vossos pecados e orai uns pelos outros, para que sejais curados. A oração fervorosa do justo tem grande poder". Sede perseverantes, sede vigilantes na oração, acompanhada de ação de graças.

Reflexão:A vida cristã é uma vida de amor."Tornai-vos praticantes da Palavra e não simples ouvintes, enganando a vós mesmos! Aquele que ouve a Palavra e não a pratica assemelha-se ao homem que observando seu rosto no espelho, se limita a observar-se e vai-se embora, esquecendo-se logo da sua aparência. Mas aquele que ouve a Palavra e pratica o que ela ordena, perseverando; esse é bem aventurado no que faz " (Tg 2,22-a 25).

Fonte: As Escrituras Sagradas- Atos dos Apóstolos.
          imagem:  Jesus, exemplo de humildade

terça-feira, 27 de novembro de 2012

"Amai-vos uns outros..." (Jo 13,35)

                                               A prova do cristão "é o amor"...
                              "Nisto sabereis que são meus discípulos e meus amigos!"...

"Amai-vos uns aos outros" (Jo 13,35) - "Esse amor tem dois níveis:
 - Jesus diz: "Amai aos outros, como amais vos mesmos" ( Mc 12,31). O amor com que amamos a nós mesmos é a medida mínima com que devemos amar aos demais. Não fazer ao outro o que não queremos que nos façam, ou seja, ao outro o que gostaríamos para nós.

- Se não nos amamos a nós mesmos, não saberemos amar os demais, o que constitui problema neste nível. Existe quem não se ama autenticamente e não se respeita, que não se valoriza e então se auto destrói. Essas pessoas não estão capacitadas para dar amor e, em geral, não sabem recebê-lo. Como não ama a si mesma não compreendem como se pode amar aos outros.

- O segundo nesse nível é extraordinário, ultrapassa o normal. Jesus nos propõe: " amai-vos uns aos outros como eu vos amo" (Jo 13,34). Em seguida diz como ele nos ama: "Como o Pai me ama assim também eu vos amo" (Jo 15,9).

Cada um é amado por Cristo Jesus - com o mesmo amor que é amado pelo Pai celestial. O modelo para nos amarmos uns aos outros é o amor como Deus ama seu Filho único, isto é, um amor divino. Esse amor que lhe custou a vida de seu único Filho. Jesus Cristo se doou com eterno amor.

A prova do cristão "é o amor"- a prova  que somos cristãos não é ir a missa todos os dias, assistir um grupo de oração, ou ter uma devoção muito especial. O termômetro que indica se somos de Cristo é "o amor". A vida cristã é uma vida de amor, e se não me amo, simplesmente não sou cristão, embora diga que sou, embora leia a Bíblia, ou cumpra certas normas práticas.Cristianismo e amor são sinônimos. Só o amor nos faz cristão e nos identifica com cristãos".

Não se pode agradar a Deus sem respeitar os outros, sobretudo os mais abandonados, os menos "interessantes". Jamais se acreditou poder amar a Deus sem se interessar pelos homens... "Praticava a justiça e o direito... Julgava a causa do pobre e infeliz. Conhecer-me não é isto?" (Jr 22,15s). Esse amor pede reciprocidade. O mandamento do Deuteronômio permanece em vigor" (Mt 22,37).

                                           Uma vida de doação, aos menos favorecidos...

Reflexão: "Deus  revela que 'é Aquele que se doa por amor'. Jesus é a revelação concreta do seu amor. Na pessoa de Jesus, o homem ama a Deus e é amado por ele. Deus se manifesta na história das pessoas através de acontecimentos e atos concretos de amor. Pessoas especiais são escolhidas por Ele para se doarem por amor. Aquele que já experimentou o amor de Deus na sua vida  tem um conhecimento mais profundo do sentido do amor. Se tivermos um fraco conceito de Deus e do seu amor, nunca nos sentiremos inteiramente amados e perdoados por Ele". Buscai-o enquanto se pode achá-lo....

Fonte: -   Livro: Jesus Cristo, médico da minha Pessoa
              de Tomás Forrest / José H. Prado Flores - Ed. Louva-a-Deus,  4a. ed. 1.991
            - Vocabulário de Teologia Bíblica, Ed. Vozes
            - imagens: Madre Tereza de Calcutá e sua missão de amor
                            -Irmã Dulce e os pobres

domingo, 25 de novembro de 2012

Deus, amigo do homem

                                "Quem teme o Senhor faz verdadeiros amigos" 
 
"Vós sois meus amigos se 
praticais o que vos mando: amai-vos uns aos outros!"   

"O amigo fiel não tem preço (Sl 6,15s), pois ele ama em todo tempo, tornando saudável a vida. Quem teme o Senhor faz verdadeiros amigos, pois qual se é, tal é o amigo (Sl  6,16s)".
Temor a Deus - é uma disposição ao amor a Deus, à observância de seus mandamentos, a seu serviço  O temor, dizem os sábios é o principio da sabedoria "( Pv 1,7;  Sl 111,10).

  Modelo e  origem da amizade é a amizade que Deus faz com o homem. Enviando Jesus a nosso meio, Deus se mostrou "amigo dos homens" (Tt 3,4). Ele veio para nos ensinar a verdadeira vida em Deus.

 Porque é que aquele partilha do meu pão levanta seu calcanhar contra mim?(Sl 41,10). Jesus teve "companheiros" que partilharam de sua existência (Mc 3,14), mas nem todos tornaram seus "amigos", assim, Judas é ainda chamado "companheiro" (Mt 26,50), enquanto aos outros discípulos Jesus declara: "Já não vos chamo servos, mas amigos" (Jo 15,15). Eles partilharam das suas provações, estavam prontos a enfrentar a noite da Paixão (Lc 22,28s).João foi aquele lhe que foi fiel até à cruz; é o "discípulo que Jesus mais amava" (Jo 13´23)  e ao qual confia sua própria mãe (19,26).

  Praticais o que vos mando: amai-vos uns aos outros. "Já não vos chamo servos, mas amigos, porque servo não sabe o que seu senhor faz; mas vos chamo amigos, porque tudo que ouvi de meu Pai vos dei a conhecer."Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". "Quem escuta a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna" (Jo 5,24).

"Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e produzirdes fruto e para que vosso fruto permaneça, a fim de que tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos dê. Isto vos mando: amai-vos uns aos outros" (Jo, 13 -17).

  Jesus é o verdadeiro amigo do homem-  "... quem o segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida" ( Jo 8,12) A imagem da amizade que reinava na comunidade primitiva ( At 2,44ss ; 4,32) continua a ser para todos os cristãos um ideal e uma força. Quem pratica a misericórdia com o próximo, encontrará a misericórdia de Deus.

Reflexão: Há amizades ilusórias.Todo amigo diz: "Eu sou teu amigo",  mas há amigo que só o é de nome. Essas dolorosas experiências ensinam a proceder com lucidez na escolhas dos amigos, tanto que convém até desconfiar. Acaso não pode a amizade ser enganadora e até arrastar ao mal? O verdadeiro amigo se conhece no tempo da provação. Acima dessas crises permanece a certeza de que a amizade  e a vontade do Senhor é o amor fraterno entre os seus ( Jo 15,12). Os verdadeiros amigos de Jesus são aqueles que ouvindo sua palavra no coração, a põem em prática. O coração sábio aceita os preceitos de Deus e a integridade guia os homens retos, mas os insensatos mantem-se no caos da vida no mundo.

Fonte: As Escrituras Sagradas, a Bíblia
           Vocabulário de Teologia Bíblica, Ed. Vozes
           Imagem: Jesus ensinando à multidão, o sermão da montanha.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Eucaristia, ação de graça e bênção

   Fé na presença real de Jesus na Eucaristia
     
          Penetrar na verdade oculta, descobrir o tesouro escondido!        
                                           
Eucaristia, sacramento de um alimento -  "é um rito de alimentação. Significa reconhecimento, gratidão, ação de graça.  Bênção que celebra as maravilhas de Deus em benefício do homem e o louvor exprime reconhecimento e ação de graças. Nas refeições judaicas, louvam e agradecem a Deus pelos alimentos que Ele deu ao homem".
   Jesus pronuncia uma "Bênção" na primeira multiplicação dos pães. (Mt 14,19) e na segunda multiplicação, menciona "ação de graças". Ação de graças pelo pão, bênção sobre o cálice.
  No uso cristão, o termo "eucaristia" que prevaleceu para designar a ação de graça instituída por Jesus na véspera de sua morte. Jesus sabendo que havia de morrer, no momento preciso da Páscoa, antecipou por um dia, evocando sua última refeição, o rito pascal, ( Jo 19,14-36)".

A eucaristia, sacramento de um sacrifício. O anúncio da morte redentora, porque o Corpo "será dado por vós"; o sangue será "derramado por vós"... Jesus anuncia claramente a sua morte próxima e a apresenta como um sacrifício, comparável ao das vítimas, cujo sangue selou no Sinai a primeira Aliança  (Ex 24,5-8). Ele dá a entender que sua morte irá substituir os sacrifícios da antiga aliança e libertar os homens, não de um cativeiro temporal, mas do cativeiro do pecado, assim como Deus o havia exigido do Servo (Is 53,12).  Ele instaurará esta "nova  aliança" que Jeremias havia anunciado (Jr 33,31-34).

Comunhão no sacrifício - "Comendo o Corpo imolado de Jesus e bebendo o seu Sangue, os fiéis comungarão do seu sacrifício, fazendo a sua oferenda de amor e beneficiando-se do retorno às boas graças que ela produz. É para que eles o possam fazer em todo lugar e sempre que Jesus escolhe alimentos comuns, o pão e o vinho, para fazer sua carne e seu sangue em estado de vítima e ordena aos seus discípulos, repetir depois dele as palavras que por sua autoridade produzirão essa transformação. Dá-lhes assim uma delegada participação no seu sacerdócio".

                        
        "Eu sou o pão que desci do céu. Quem comer deste pão viverá para sempre" (Jo 6,51).

Fazem-no "em sua memória" - "Toda as vezes que os cristãos repetem esse gesto, ou se lhe  associam, "anunciam a morte do Senhor, até que ele venha" (1Cor 11,26), pois a presença sacramental é a de Cristo em seu estado de sacrifício. Fazem-no "em sua memória" (1Cor 11,25 ; Lc 22,19) trazendo como uma oferenda constantemente renovada que atrai sua graça .A maior dentre todas as maravilhas de Deus, é o sacrifício de seu Filho oferecido para dar aos homens a salvação. Maravilha de amor na qual estes participam unindo-se pela comunhão do Corpo do Senhor e, nele,com todos os seus membros (1Cor 10,14-22). Sacramento de sacrifício de Cristo, a eucaristia é o sacramento da caridade, da união no Corpo de Cristo". "O espírito que vivifica, a carne para nada serve. As palavras que vos disse são espírito e vida" (Jo 6,63)

Reflexão: Participar do banquete da Palavra e da  Eucaristia é  alimentar a alma, o bálsamo do espírito e a força para o combate. "O cristão chamado a viver o amor de Deus precisa sentir o atrativo do Amor.  Na eucaristia, Jesus nos dá o suave testemunho de que nos ama pessoalmente como seus amigos. A alma de fé contempla realmente Jesus Cristo com o olhar interior da graça, numa visão espiritual. O amor porque é transformador,  produz identidade de vida.
                "Creio, Senhor, mas ajuda a minha fé vacilante!" (Mc 9,24)
       
Fonte : As Escrituras Sagradas, a Bíblia.
           Vocabulário de Teologia Bíblica,  Ed. Vozes.
            Imagem: a Eucaristia, presença sacramental - afrentedabatalha.blog. (1a. imagem)

sábado, 3 de novembro de 2012

Nutrir-se de Deus, o único alimento de consistência


"Não só de pão vive o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus" ( Mt 4,4)
                                                 Nutrir-se de Deus é vida

 - A Palavra de Deus - É por si mesma  poder de salvação.
                                      É o alimento da alma, do espírito. 

    "Como todos seres vivos, o homem está obrigado a alimentar-se para poder subsistir, e esta dependência para com o mundo é também um sinal essencial de sua inconsistência, mas é também um apelo a se nutrir de Deus, o único alimento a ter consistência.  Para ensinar ao homem que seu verdadeiro alimento é como o de Cristo, a vontade do Pai (Jo 4,34), A Escritura Sagrada lhe apresenta os atos da alimentação em três planos diferentes, o da criação e o da obediência, o da Aliança e da fé, o Evangelho e da caridade":

1- Deus providencia o Alimento de suas Criaturas- "Dou-vos todas ervas que dão semente...todas ervas que produzem frutos...( Gn 1,29s). Havendo criado o homem e tendo-o feito senhor da criação, Deus lhe dá seu alimento, como a todo o mundo animal. Após o dilúvio, Deus entrega na mão do homem todos animais vivos para serem seu alimento: "Dou-vos tudo isso como vos dei a verdura das plantas" ( Gn 9,2s).  O homem se alimenta dos frutos e das plantas que cultiva, dos animais que lhe pertencem e que ele cria; alimenta -se do produto de sua cultura, de seu trabalho ( Gn 3,19), da "obra de suas mãos" (Dt 14,29). O alimento, produto do seu  trabalho e obra de suas mãos pode levar a gula, ou a embriaguez, capazes de levar à miséria e ao contrário, pode o homem usá-lo com egoísmo e cair no luxo, até a exploração dos pobres, esquecendo que o alimento é um dom de Deus, que deve ser partilhado.

2- Deus alimenta o seu povo com sua Palavra - "Pela Aliança, Deus se encarrega da existência de seu povo.O maná, proveniente "do céu" (Ex 16,4) alimento proporcionado diretamente por Deus (Gn 16,15). Essa situação supõe a fé. O maná feito para alimentar o corpo e para alimentar a fé daquele povo, para ensinar a Israel a esperar sua subsistência e sua sobrevivência da Palavra que procede da boca de Deus (Dt 8,3 : Sb 16,26; Mt 4,4).

3- Deus, Alimento de seus Filhos - "Cristo mostra que Deus lhe basta e, que seu alimento é a vontade do Pai e deseja ensinar que é ele "o pão de Deus, o que desce do céu e que dá vida ao mundo" (Jo 6,32). No sermão da montanha, ele convida a "não se preocupar com o alimento" (Mt 6,25) e a procurar em primeiro lugar o Reino de Deus". (Mt 6,33) e propõe ele mesmo a sua carne como verdadeiro alimento e seu sangue como verdadeira bebida ( Jo 6,55). A Eucaristia, na qual  o pão da terra se torna corpo de Cristo, torna o homem filho de Deus, capaz de se alimentar, em quaisquer circunstâncias de Jesus Cristo, de suas palavras, de seus gestos, de sua vida".

                               
                                     "Eu sou o pão vivo que desceu do céu" (Jo 6,32)

Reflexão: O homem sem Deus é escravo do materialismo, do individualismo, e o Dinheiro é o senhor de sua vida. A miséria espiritual leva à escravidão aos vícios, ao egoísmo, à violência e toda espécie de mal...Sem o amor de Jesus Cristo no nosso coração, somos incapazes de amar o outro, de ter compaixão e perdoar; de partilhar fraternalmente com quem precisa. O mundo tem sede e fome de Deus...

Fonte: As Escrituras Sagradas, a Bíblia
           Vocabulário de Teologia Bíblica, Ed. Vozes
-imagens: - A Bíblia, a Palavra de Deus -jpg 1
               - O Pão Eucarístico - sobre isso.com / o que-e-a-eucaritia

sábado, 13 de outubro de 2012

A Palavra de Deus é viva, atua na nossa história

         A Palavra de Deus é um fato,  diante do qual o homem não pode ficar passivo.    
                       É "Palavra de salvação" ( At 13,36), "Palavra de vida" (Fp 2,16)        

   "A Palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante do qualquer espada de dois gumes; penetra até dividir a alma e espírito, junturas e medulas. Ela julga as disposições e as intenções do coração. E não há criatura oculta à sua presença. Tudo está nu e descoberto aos olhos Daquele a quem devemos prestar conta." ( Heb 4, 12)


   Jesus é poder que opera, e luz que revela. "Com uma palavra Jesus realiza os milagres que são os sinais do Reino de Deus ( Mt 8,8.16) Jo 4,50-53). Com uma palavra, ele realiza nos corações os efeitos espirituais de tais milagres que são símbolo, como perdão dos pecados (Mt 9,1-7p). Com uma palavra Jesus transmite aos Doze os seus poderes (Mt 18,18) Jo 20,23) e institui os sinais da nova Aliança ( Mt 26,26 -29p)."  A Palavra é por si mesma, um poder de salvação: o crescimento da Igreja se identifica com o crescimento da Palavra (At 6,7; 12,24 ; 19,20). Assim se expande na história a ação da Palavra divina, que suscitou nos homens fé, esperança e amor".
   Nele e por Ele a Palavra criadora está portanto a agir, operando aqui na terra a salvação: "Luz que revela, Jesus anuncia o Evangelho do Reino, "anuncia a Palavra" dando a conhecer as parábolas, os mistérios do Reino de Deus (Mt 13,11p) ensina em nome de Deus ( Mt 22,16p). Ele fala "com autoridade" (Mc 1,22p), como por conta própria, com certeza que "suas palavras jamais passarão" (Mt 24,35). Jesus fala as Palavras de Deus (Jo 3,34), fala "o que o Pai lhe ensinou" (Jo 8,28). Por isso que "suas Palavras são espírito e vida" ( Jo 6,63). Jesus não fala de si mesmo e sim "conforme o Pai lhe falou" (Jo 12,50).

   "Enquanto revelação e norma de vida, a Palavra é para uns Luz ( Sl 119, 105), enquanto promessa propicia uma segurança para o futuro. A resposta humana à Palavra leva a uma atitude interior de fé, uma vez que que a Palavra é a revelação do Deus vivo e de seus planos e esperança, já que ela é promessa. Deus vigia sobre ela para cumpri-la (Jr 1,12), ela produz sempre aquilo que anuncia quer se trate dos acontecimentos da história, das realidades cósmicas ou do final do plano de salvação. Nenhum acontecimento exaure-lhes o sentido enquanto os "últimos tempos" não tiverem chegado (cf, dl 9)."

    O amor, é norma de vida. "A aceitação da Palavra pelos ouvintes, deve ser uma acolhida confiante e dócil em seu coração. Somos intimados a tomar posição diante desta Palavra que nos põe em contato com o próprio Deus. Jesus nos mostra claramente o que está em jogo nessa opção. Na parábola da semente, a Palavra do Evangelho do Reino é recebida diferentemente pelas diversos ouvintes: todos a "ouvem", mas só os que a compreendem (Mt 13,23) ou a "aceitam" ou a "guardam"( Lc 8,15) chegam a vê-la produzir neles seu fruto. Da mesma forma no Sermão da Montanha, no qual proclama a nova Lei, Jesus faz contraste entre a sorte dos que "ouvem a sua Palavra e a põem prática e a sorte dos que a ouvem sem a por em prática" ( Mt 7,24.26). E nos fala as palavras de juízo que cada qual será julgado com sua atitude  diante da Palavra: "Todo aquele que se tiver envergonhado de mim e de minhas palavras, dele também se envergonhará o Filho do Homem quando vier na glória do seu Pai" ( Mc 8,38).

   "Toda a Escritura é inspirada por Deus, é útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça. Por ela o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra" (II Tm 3,16-17). Ela é o sustentáculo da fé, ela tem o condão de proporcionar a sabedoria que conduz a salvação, pela fé em Jesus Cristo. Permaneceis firmes naquilo que aprendestes e crestes ( II Tm ).

  Reflexão- As palavras de Jesus são espírito e vida: "os que ouvem e  creem na Palavra de Jesus e a guardam, permanecem nela, esses têm vida eterna ( Jo 2,22; 4,39. 41.50 ;  8,5 . 31; 5,38; 15,7 ; 5,24).Quando você vive à luz da Palavra de Deus, seus valores mudam e a sua vida simplifica.Por outro lado, há os que acham a Palavra dura demais que "não podem ouvi-la" e por isso a rejeitam e repelem a Cristo: a estes a própria Palavra de Jesus há de julgá-los no último dia, por ser a Palavra do Pai que é Verdade (Jo 12,49 ; 17,14  . 17,17). Conforme nossa decisão somos levados a uma vida de fé, de confiança e de amor, ou pelo contrário relegado às trevas do mundo mau". Somos livres quanto às nossas escolhas, mas não somos livres das consequências dessa escolha.

  Fonte: As Escrituras Sagradas, a Bíblia
           Vocabulário de Teologia Bíblica - Ed. Vozes
            Imagem bíblica: a Bíblia Sagrada

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

"Confessar tudo que nos faz menos que a integridade..."

Ao confessar, não justifique ou racionalize, confessa-os
   
                           Aceite o perdão amoroso de Deus e perdoa a si mesmo!

   Pecado - é tudo aquilo que deixa o homem aquém da imagem criada por Deus, é muito mais que a prática de um ato mau; pecado é ter relações distorcidas; é racionalização inteligente; é ser menos que a integridade; é romper-se a aliança com Deus. A racionalização e a justificação do ato, caracterizam falta de humildade em reconhecer as iniquidades,  o que denota o grande pecado do orgulho.

   Confessar tudo: "não somente os pecados evidentes da carne, mas também atitudes mentais, sentimentos hostis ainda não transformados em ação, sentimentos de culpa secretos, objetivos falsos e reações prejudiciais; os da omissão, as coisas que deixamos de fazer e que deveríamos ter feito. 
   "Confessando os pecados conhecidos, confessar agora os desconhecidos, aqueles sentimentos cuidadosamente enterrados, que não ousamos enfrentar quando ocorreram e então os reprimimos. Há centenas de coisas que racionalizamos sob o pretexto de que não podia ser de outro modo, ou porque todo o mundo faz o mesmo, ou outra evasiva inteligente qualquer, podemos convencer a nós mesmos no nível intelectual, mas não no nível emocional e espiritual. Deus conhece o seu, o meu coração.
    Diga a Deus como se sente: "se você sente hostilidade, fale de sua inveja ou ciúme, da ganância, cobiça em relação às pessoas e às coisas, sua falta de fé, sentimento de auto justiça, suas atitudes críticas que faz com que você julgue os outros e se justifique. Confesse seu sentimento de auto suficiência, que tem feito você confiar mais em si que em Deus. Conte as mentiras que você pregou ou os artifícios que você usou .... Não justifique ou racionalize, confesse-os.  Ele sabe tudo sobre você".
    "Na confissão, podemos estar certos de que a princípio, ou talvez por anos, atingiremos só a superfície. Os pecados mais profundos ficarão esquecidos ou ocultos. A pobreza de espírito, a maldade e a pequenez, a obstinação e o orgulho - estes nos enganarão, a não ser que iluminados e fortalecidos pelo Espírito Santo nos rendamos à misericórdia e o amor de Deus, confessando-os. Não deve haver racionalização, desculpas, reclamações de que os outros também eram culpados. E, não há razão para auto condenar e sim para achar a causa do problema. Ao confessar aceite o perdão amoroso de Deus e perdoa a si mesmo". 
   "Na confissão, contar os pecados e falhas dos outros  é perda de tempo. O nosso dever é  examinar a nossa culpa  e confessá-la", por menor que seja.
     "Devemos lutar sempre, mesmo sem ganhar, mesmo sem nunca alcançar a meta. A luta aqui nunca cessa, mas a cada passo da peregrinação terrena há um novo sentimento de paz e calma interior, o sentimento crescente de uma Presença trabalhando conosco e dentro de nós. Porque Deus opera em vós... Não estamos sós na luta, não somos condenados pelo nossos fracassos. Embora caiamos milhares de vezes, se nos levantarmos de novo e seguirmos Jesus Cristo, Luz que ilumina as nossas trevas, seremos aceitos e perdoados. Não há limite para seu amor e seu perdão".Jesus nos considera da mesma maneira, e ele é a manifestação de Deus. "Se me vistes, vistes também o  Pai", declarou. Reconhecer  nosso pecado e aprender a olhar com os olhos do coração em busca da misericórdia do Pai é buscar a salvação. "Detenha-se diante da Cruz!... Jesus é o único mediador entre os homens e Deus.     
   "Santo é aquele que peca menos e confessa mais e mais". A humildade é a característica principal do seu caráter; ele se rende à vontade de Deus. 
    Nunca é tempo de parar de confessar...e tenha a convicção de que Deus perdoa instantânea  e voluntariamente, e é por amor que Ele não nos condena. Mas é importante que a confissão seja completa e implacavelmente sincera. A sinceridade para com Deus é o primeiro passo absolutamente essencial. Sinceridade com Deus e consigo mesmo...

  Reflexão: "O pecado básico é a emoção, o sentimento, a atitude que induz à ação. Diga a Deus como se sente. Não justifique ou racionalize, confesse-os.  Ele sabe tudo sobre você. "Ao reconhecer diante de si mesmo e de Deus que tem sido culpado, do orgulho e o hábito de julgar, de se ter uma natureza rancorosa, de hostilidades, não se está dizendo que sua alma é a pior do que a dos outros e que merece ser condenado. Está se incluindo à raça humana e confessando de que não é melhor do que os outros que você condenou, e que precisa de perdão. "Não julgueis para não seres julgados, porque da mesma maneira que medires serás medido". Há certo orgulho sutil que nos impede de aceitar o perdão divino. Ao confessar aceite o perdão amoroso de Deus e perdoa a si mesmo".

Fonte:- As Escrituras, a Bíblia
            -Livro: A arte de compreender-se a si mesmo, Osborne Cecil G., Ed.: JUERP,  7a. ed.
            - imagem:- confiss %C3%A3o. jpg +1 - diegotales.blogspot.com