terça-feira, 15 de outubro de 2013

A ambição é uma idolatria

                          "Somos possuídos pela nossa aspiração a possuir sempre mais..."
                        
                        As posses podem nos possuir, nos levam a possuir sempre mais...

 "A ambição do possuir simplesmente  é essencial ao ser humano. Nesta aspiração encontra-se a ânsia por tranquilidade. O que esperamos das posses que possuímos é não ter mais nenhuma preocupação e poder abandonar-nos tranquilamente à vida. O homem que não possui bens é comparável a uma ave altaneira voando livremente pelo céu, sem qualquer preocupação. Por outro lado, a experiencia nos mostra que as posses podem nos possuir, que somos possuídos pela nossa aspiração a possuir sempre mais. Aquele que tem muitas posses está preso - amarrado a seus bens e mesmo quando a morte aproxima, haverá de lastimar-se por ter que deixar o presente. Entrega sua alma, mas não desvia o olhar das coisas; é separado de seu corpo, mas não se separa de suas posses. 
 Nossa cobiça por posse jamais será satisfeita, se orientarmos exclusivamente para as coisas do mundo. Por mais posses que tivermos, a nossa ansiedade mais profunda por tranquilidade e sossego e pela harmonia conosco mesmo não poderá ser satisfeita.
    É por isso que na Bíblia, a Palavra de Deus transforma este instinto, apontando-nos os bens interiores, como é o caso da pérola preciosa e do tesouro no campo. Dentro de nós, isto é,  em nossa alma,  podemos encontrar uma imensa riqueza - é aí que encontramos Deus e todas as potencialidades com que nos presenteou.  Somente em vista desse valor interior é que seremos capazes de desprender-nos dos bens exteriores e libertar-nos de querer possuir sempre mais.
    A ambição vista sob outro ângulo - consiste no contínuo vangloria-se diante dos outros. Tudo é feito unicamente para ser visto por outras pessoas.  Eu penso continuamente nas pessoas e em sua opiniões. E acabo me perguntando: como será meu modo de agir sobre elas? Elas acham bom o que eu faço? e assim eu acabo não estando comigo mesmo e torno-me dependente do juízo das outras pessoas e da necessidade de ser reconhecido.  A busca de reconhecimento, muitas vezes ocorre até mesmo em nossa ação mais piedosa. Não se trata de nos livrar completamente dessa busca de reconhecimento, mas de relativizá-la de maneira a não nos tornarmos dependentes dela".


Reflexão: "Nossa cobiça por posse jamais será satisfeita, se nos voltamos para os apelos do mundo que nos instiga a consumir sempre. Somente quando nos voltarmos para as riquezas interiores é que nossa aspiração pela posse exterior ganhará sua devida medida". Buscai portanto, as coisas do alto e tudo mais vos será acrescentado.

Fonte: Do livro: "O Céu começa em você - Autor -Anselm  Grün
                             Editora Vozes - 13ª.  Edição - 2005.
Imagem: Link para blogs:  Kdfrases. com  - ( para a reflexão sobre ambição)

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

"Recuperai o domínio de vosso coração..."

                                    e colocai-o suavemente nas mãos do Senhor".
                               
   "Quando caíres em alguma falta, levanta-te com serenidade, humilhando-te profundamente diante de Deus, confessando-lhe sua miséria, mas sem admirares de tua queda. Se soubéssemos bem quem somos, em vez de nos admirarmos de vermos por terra, pasmaríamos ao pensar como podemos permanecer de pé", São Francisco de Sales recomenda-nos que não continuemos "caídos e enlameados" no lugar em que tropeçamos. Não seja isso motivo de espanto, antes retornes o fôlego e desenvolvamos as nossas energias tão depressa como pudermos". Detesta, sim, com as todas forças, a ofensa que fizeste a Deus, e depois com uma grande coragem e confiança na sua misericórdia, volta a empreender o caminho da virtude que havias abandonados".
 O lavrador não se admira de ver as ervas daninhas invadirem a sementeira, mas nem por isso se esforça menos em arrancá-las. Devemos substituir a surpresa causada pelas nossas quedas pelo conhecimento de nossas fraquezas, de nossa pequenez, que é o primeiro grau da humildade.
  Não são mais santos os que cometem menos faltas, mas sim os que têm mais coragem, mais generosidade, mais amor; os que fazem mais esforços sobre si mesmos e não têm medo de escorregar, cair, contanto que avancem". A alma levanta-se sob o amparo do arrependimento e da absolvição sacramental, que tudo vem reparar. Recuperai o domínio do vosso coração e colocai-o suavemente nas mãos do Senhor". Fazei na medida do possível que o vosso coração torne estar em paz convosco mesmo", ainda que saibais de vossa pequenez diante de Deus.

Reflexão:  "Quando há verdadeira humildade, ainda que a alma se reconheça má e por isso esteja triste, essa tristeza não faz acompanhar de perturbação nem inquietação; é um pesar que não produz obscurecimento no espírito, nem aridez; ao contrário, consola-o. A alma aflige-se por ter ofendido a Deus, mas por outro lado, dilata-se na esperança da sua misericórdia".

Fonte:  Do livro: A arte de aproveitar as próprias faltas
          Autor: Joseph Tissot - Editora, Quadrante - 3a, ed. - 2003.
          Imagem: "uma pessoa em oração".

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Conversando com Deus...

   
        
                                    No silêncio da alma, posso falar com Deus...

         "Pedi força e vigor; Deus me mandou dificuldades para me fazer forte,
           Pedi sabedoria; Deus me deu problemas para resolver.
           Pedi prosperidade; Deus me deu energia e cérebro para trabalhar.
           Pedi coragem; Deus me mandou situações para superar.
           Pedi amor; Deus me mandou pessoas com problemas para eu ajudar.
           Pedi favores; Deus me deu oportunidades para eu prosperar.
           Não recebi nada do que queria, recebi tudo que precisava.
           Minhas preces foram atendidas!"

          Reflexão: Descubra o que Deus quer lhe proporcionar na situação que hoje está vivenciando...
          
          Fonte: autor não identificado
          Imagem: "uma pessoa em oração..."

sexta-feira, 19 de julho de 2013

"O caminho para Deus passa pelo encontro consigo mesmo,

                                       pela  descida para dentro de nossa realidade humana...
          
       ...o caminho para o verdadeiro eu."

 "Muitas vezes nós  nos identificamos de tal maneira com os ideais, que acabamos recalcando nossas nossas próprias fraquezas e limites pelo fato de eles não corresponderem ao ideal. Isso conduz a uma divisão, e é justamente esta divisão que nos torna doentes. Esta divisão muitas vezes, se evidencia em nós uma discrepância existente entre o ideal e a realidade. E, por não sermos capazes de reconhecer que não correspondemos ao ideal, acabamos projetando nossas incapacidades sobre os outros, sendo desse modo muito rigorosos para com eles.

   Sem o autoconhecimento corremos sempre o perigo de nossos pensamentos acerca de Deus serem meras projeções. Em muitas pessoas piedosas, percebe-se que elas querem por meio de sua religiosidade esquivar-se da própria verdade. Elas se refugiam em pensamentos e sentimentos piedosos para não precisarem encontrar consigo mesmas, dizem os monges.

   A espiritualidade a partir da nossa realidade, mostra-nos que chegamos a Deus através de uma rigorosa auto-observação e por sincero autoconhecimento. O que Deus quer de nós, não podemos conhecer por meio de altos ideais que colocamos para nós mesmos. Queremos alcançarmos altos ideais para darmos a impressão de estar bem diante dos outros e também diante dele.

  Iniciando nossa espiritualidade pelo autoconhecimento, olhando para nós mesmos, atentos às nossas paixões, é considerado o melhor caminho para o crescimento espiritual. Para os padres do deserto, o caminho para Deus sempre conduz ao autoconhecimento. Nesse sentido, se questiona antes de tudo acerca da sinceridade e da autenticidade. No interior de mim mesmo, sem distrair ou fugir para as atividades, e ou de sonhar acordado; é justamente neste lugar que preciso me colocar. É então que Deus me pede explicações, colocando em questão tudo o que eu havia imaginado a respeito dele e sobre minha vida. Na minha fraqueza sou capaz de reconhecer o plano de Deus para comigo e o que ele poderá fazer de mim quando realizar totalmente sua graça em mim. Aí é possível  experimentar o amor de Deus e sua proximidade salvadora.

  "A espiritualidade sincera não passa por cima da realidade humana, mas no encontro consigo mesmo, é o pressuposto fundamental para todo e qualquer autêntico encontro com Deus." A espiritualidade dos monges é sincera. Ela não passa por cima da realidade humana.  Os monges 'não falam' sobre Deus, eles 'o experimentam'. Eles procuram afastar todas possibilidades de dispersão, a fim de direcionar o espírito completamente para Deus".

Reflexão: "A escada para o reino do céu está escondida em tua alma. Mergulha para dentro dos pecados que estão em ti mesmo e, assim encontrarás ali uma escada pelo qual poderás ascender"( Isaac 302). O caminho espiritual começa nas paixões da alma. São as paixões da alma e as forças impulsivas,  que devem ser primeiramente observadas e com elas se devem lutar. É somente então que se compreende algo a cerca de Deus. Sim, o tratamento das paixões é, o caminho até Deus, afirma Poimen. Onde nós caímos, onde afastamos de Deus, é que aprendemos a lição, a lição que nossas virtudes não são capazes de nos ensinar. Deus nos educa também através de nosso "entulho". Ele nos conduz pelo caminho da humildade e é somente este caminho que conduz a Deus. "O homem necessita de humildade e do temor de Deus como necessita de respiração que lhe sai das narinas"( Miller, SabPad 49). Sem humildade, estamos continuamente em perigo  de colocar Deus a nosso serviço."
       
Fonte:   - Do livro: O Céu Começa em Você.
               A sabedoria dos padres do deserto para hoje.
              - autor- Anselm Grün - Editora Vozes - 13a. ed.
            - imagem:- "o espelho-2.jpg" - ( representando a dificuldade de conhecer o verdadeiro eu)

sábado, 1 de junho de 2013

Corpus Christi, a festa da Eucaristia

                                                O Sacramento do Corpo de Cristo.

"Isto é o meu corpo" por vós (1Cor 11,24); "Isto é meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado por uma multidão" (Mc 14,24). Os sinais do 'pão e vinho' tornam doravante presente na terra é  o corpo entregue de Jesus, o seu sangue derramado.

Depois da ressurreição, o corpo de Cristo não tem apenas uma existência invisível,"à direita de Deus" (He 10,12) pois, antes de morrer Jesus instituiu um rito para perpetuar sob sinais a presença terrestre de seu corpo sacrificado.

A experiência eucarística da Igreja- O mesmo rito repetido na Igreja, fica como memorial da morte de Cristo (1Cor 11,24ss) colocado na luz da ressurreição, pelo qual o corpo de Cristo se tornou "espírito vivificante". Por este rito, a "comunhão no corpo de Cristo", a Igreja revive todos os aspectos essenciais do mistério da salvação"
                                O corpo de Cristo se tornou "espírito vivificante" 

Reflexão: "Pela experiência eucarística tomamos consciência que somos membros do Corpo de Cristo. Nossa união com Cristo deve ser entendida de maneira muito realista, somos verdadeiramente seus membros. Nele cada cristão tem uma função particular em vista do bem conjunto (1Cor 12,27-30). É o seu próprio Corpo que unifica os múltiplos membros do corpo formado por todos os que creem  pelo batismo (1Cor 12,13.27). Em torno ao corpo individual de Jesus  realiza-se a unidade dos homens, chamados a agregar-se a esse corpo".

Fonte- As Escrituras Sagradas, a Bíblia
          -Vocabulário de Teologia Bíblica - Ed. Vozes.
          -Imagem: Corpus Christi,jpg

domingo, 19 de maio de 2013

Pentecostes, festa do dom do Espírito Santo

                         É a  efusão do Espírito, a coroação da Páscoa de Cristo

Pentecostes - Dia de alegria e ação de graça. É a manifestação pública da Igreja chamada a anunciar a Boa Nova de Cristo, com a força do Espírito a todos os povos da terra. Ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo, ( 1Cor 12,3).

Pedro mostra que Pentecostes cumpriu as promessas de Deus: nos últimos tempos o Espírito seria dado a todos (cf. Ez  36,27). João Batista anunciara já ter chegado aquele que deveria batizar no Espírito Santo (Mc 1,8). E Jesus, após a ressurreição tinha confirmado essa promessa: "Em poucos dias, sereis batizados com o Espírito Santo" (At 1,5).

 Pentecostes realiza em Jerusalém a unidade espiritual dos judeus e dos prosélitos de todas as nações, dóceis aos ensinamentos dos Apóstolos, eles comungam no amor fraterno à mesa da eucaristia (At 2,1-11). 
O Espírito Santo é dado visando um testemunho a ser levado até as extremidades da terra (At 1,8). Há diversidade de dons, de ministérios, de atividades, mas um mesmo é o Espírito, um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos ( 1Cor 12).  O Espírito Santo guia a Igreja, nos fortalece com seus dons e nos impulsiona à missão de discípulos de Jesus Cristo. 
                                                  
No dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos reunidos no cenáculo com Maria, a Mãe de Deus. Jesus disse: "A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou eu também vos envio". E soprou sobre eles e disse: "Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não perdoardes, eles lhes serão retidos" (Jo, 19-20). 

Reflexão: Nós, os cristãos somos o corpo de Cristo e a cada um, nos foi dado um dom, um talento. Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres, para formarmos um único corpo, todos fomos impregnados do mesmo Espírito. Não podemos mais viver na ignorância, deixando nos levar pelas tendências pagãs, paixões e idolatrias. Viver no mundo, sem pertencer ao mundo, preservando de todo mal e santificando-nos pela verdade. "A palavra de Deus é a verdade. E a vida eterna consiste em que conheça o Pai, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que nos enviaste" (Jo 17,3). Irmãos, ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo (1Cor12,3).

Fonte:- As Escrituras Sagradas, a Bíblia
          - imagens bíblicas.wordpress.com

terça-feira, 14 de maio de 2013

"Calar e não julgar..."

                         "Se queres encontrar a serenidade onde quer que estejas...
 
...então, em tudo tudo que fizeres, deves dizer: Quem sou eu? E não julgues a ninguém!" Apot 385 
              
    "Calar é o caminho para encontrar-se consigo mesmo,  o caminho para descobrir a verdade do coração. Todavia, calar é também o caminho para libertar-se do perigo de constantemente criticar e julgar o outro,  de nos desprendermos de nossos pensamentos e desejos, em fim, de tudo aquilo que constantemente nos ocupa. O saber largar é o caminho que permite entrar em contato com minha fonte interior, o caminho que permite descobrir a riqueza verdadeira de minha alma em Deus e, percebo que é ele que me dá tudo o que necessito para viver.

    Corremos sempre o perigo de avaliar, apreciar e criticar a todo ser humano que encontramos. Aquele que conhece a si mesmo, não julga. Pois, quem se conhece a si mesmo, não vê as falhas dos irmãos"( Apot 1011). Os patriarcas e monges exortam a permanecer em si mesmo, a confrontar-se com a própria verdade e a não julgar os outros.

     Por mais que uma pessoa jejue e trabalhe muito, de nada adianta, se fica a julgar os outros. Apenas o leva a vangloriar-se perante os outros, a satisfazer sua soberba e sua auto estima. Para aquele que, na reflexão interior encontrou a si mesmo, confrontou-se com sua própria verdade e se empenhou para não julgar o outro, para este, é sinal de crescimento espiritual que conduz a Deus, o não julgar.

    O julgamento dos outros é sempre um sinal de que a pessoa ainda não se encontrou consigo mesma. Por essa razão pessoas piedosas se irritam com os outros. Sua piedade ainda não fez com que se confrontassem consigo mesmas e com seus próprios pecados. "Se alguém carrega seus próprios pecados, não fica reparando os pecados dos outros"(Apot 510). O julgamento dos outros nos torna cegos para as nossas próprias falhas. Calar em relação aos outros nos proporciona um auto conhecimento mais lúcido e faz com que paremos de projetar as nossa falhas sobre  eles.

    Se nos observarmos, podemos ver muitas vezes, que estamos prontos a julgar os outros. Não faz sentido algum, exaltarmos diante dos pecados do outro. E vez disso, melhor seria rezar por ele e experimentar através da oração que todos somos tentados e que ninguém de nós pode garantir que poderá livrar-se dos seus defeitos. Em vez de julgar o outro deveríamos, por meio da caridade, buscar conquistá-lo para Deus.

   O verdadeiro caminho da salvação é: 'colocar minhas próprias falhas à minha frente, e, meditando, sobre elas, pedir a Deus para me perdoar'. Quem conhece a si mesmo com sinceridade, torna-se misericordioso. E sabe no fundo de seu coração, que todos necessitamos de misericórdia de Deus. E quando Deus permite que o bem triunfe em nós, isso será sempre um prestígio de sua graça".

Reflexão: O calar é pois, segundo os monges, um auxílio para deixar de lado a projeção e, em vez disso, encarar o comportamento dos outros como um espelho para nós mesmos. "Ao xingarmos os outros revelamos aquilo que está em nós mesmos. Nós projetamos nossos próprios lados sombrios, nossos desejos e necessidades recalcadas sobre os outros. O calar é a renuncia a todo tipo de projeção. Muitas vezes, faz-se necessário o exercício consciente de calar a fim de que também o coração possa calar. Muitas vezes precisamos proibir-nos expressamente de falar sobre o outro a fim de podermos vê-lo sem preconceitos".

Fonte: Do livro: 'O Céu Começa Em Você' - A sabedoria dos padres do deserto para hoje
            autor: Anselmo Grün - Editora Vozes - 13a. ed. - 2005.
            Imagem:-  imagem silêncio-cit...jpg ( para representar 'Calar e não julgar'